Colostro bovino: o “ouro líquido” do bem-estar ou mais um modismo?

Nos últimos meses, uma nova estrela surgiu no universo da suplementação: o colostro bovino. Chamado por influenciadores de “ouro líquido”, ele tem sido divulgado como solução para tudo — da melhora da imunidade ao aumento de massa muscular, passando pela saúde intestinal e até benefícios estéticos. Mas será que essa fama se sustenta em evidências científicas ou estamos diante de mais um modismo passageiro?

O colostro é o primeiro leite produzido por vacas nas 24 a 72 horas após o parto. Riquíssimo em imunoglobulinas, fatores de crescimento, aminoácidos e nutrientes essenciais, sua função original é proteger e nutrir o bezerro recém-nascido. A indústria, no entanto, encontrou nele um novo mercado: transformar esse líquido em suplemento para humanos.

De fato, há pesquisas que indicam benefícios reais do colostro bovino para o sistema imunológico. Um estudo publicado no Nutrition Research Reviews mostra que a suplementação pode melhorar a resposta imune, principalmente em atletas de alta performance, que sofrem com a chamada “imunossupressão induzida por exercício intenso” (Brinkworth & Buckley, 2003). Mas a maioria desses estudos ainda é considerada preliminar.

Além disso, o colostro vem sendo associado à melhora na saúde intestinal. Ele contém fatores bioativos como a lactoferrina e peptídeos antimicrobianos, que podem ajudar na integridade da mucosa intestinal e no equilíbrio da microbiota. Em pacientes com colite ulcerativa e síndrome do intestino irritável, algumas pesquisas mostraram efeitos promissores — embora ainda distantes de uma comprovação conclusiva para o uso amplo.

No Brasil, a Anvisa não reconhece o colostro bovino como suplemento alimentar regularizado, o que limita sua comercialização por vias oficiais. Ainda assim, o produto já pode ser encontrado em e-commerces internacionais ou por importação direta, o que acende o alerta sobre segurança, qualidade e rastreabilidade. O risco de contaminação e a falta de controle sobre os lotes são sérios.

A médica nutróloga Dra. Amanda Melgaço, em entrevista ao portal UOL, alerta: “Não é porque está na moda que devemos consumir indiscriminadamente. O colostro pode causar reações em pessoas alérgicas à proteína do leite e, como não é regulamentado, não sabemos exatamente o que estamos consumindo”.

Outro ponto importante é o aspecto ético da extração. Há discussões sobre o impacto na alimentação dos bezerros, já que a coleta do colostro ocorre logo após o parto. Mesmo em fazendas com boas práticas, especialistas alertam que o consumo humano não deve comprometer a nutrição dos filhotes.

Nas redes sociais, nomes como Bella Falconi e alguns atletas fitness ajudaram a popularizar o colostro bovino. Mas nem sempre os resultados mostrados refletem apenas o uso do suplemento. Estilo de vida, genética, dieta e rotina de treinos também influenciam — e muito — nos efeitos observados.

O cenário atual é de entusiasmo, mas também de cautela. Especialistas pedem mais pesquisas com amostragens maiores e protocolos padronizados. Enquanto isso, vale a velha máxima da saúde: não existe solução milagrosa. O colostro pode ser promissor, mas precisa de mais respaldo antes de se tornar protagonista no arsenal de quem busca saúde e bem-estar.

Se você está pensando em experimentar, converse com um profissional de saúde. A suplementação deve ser personalizada, segura e baseada em necessidades reais — não apenas em tendências das redes sociais.

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