Fiber-maxxing: a tendência do TikTok que promete saúde, mas exige cautela

Uma nova moda tomou conta das redes sociais e está chegando às mesas de milhões de pessoas: o fiber-maxxing. A tendência, que começou no TikTok e já soma milhares de vídeos, incentiva o consumo exagerado de fibras alimentares na rotina, muitas vezes em quantidades bem acima das recomendações oficiais. O objetivo, segundo os adeptos, é melhorar a digestão, aumentar a saciedade e controlar o peso corporal, com promessas de benefícios quase imediatos para a saúde.

O movimento ganhou força porque a maioria da população consome menos fibras do que deveria. De acordo com levantamentos de nutricionistas, apenas 5% a 7% dos adultos atingem as metas diárias — entre 25 e 38 gramas — recomendadas por órgãos de saúde. Nesse sentido, o fiber-maxxing surgiu como uma “correção coletiva”, estimulada por influenciadores que exibem refeições coloridas e altamente ricas em fibras, como bowls de aveia, saladas com sementes e pães integrais.

Especialistas confirmam que aumentar a ingestão de fibras pode trazer ganhos reais. Entre os principais benefícios estão a melhora da saúde intestinal, o controle da glicemia, a redução do colesterol e a sensação prolongada de saciedade. Há ainda estudos que associam uma dieta rica em fibras à redução do risco de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e até alguns tipos de câncer, como o colorretal. Não por acaso, médicos apontam que fibras também podem influenciar positivamente o humor e a longevidade.

Mas se os efeitos positivos são inegáveis, o exagero pode transformar uma boa prática em um risco. A introdução abrupta de quantidades muito elevadas — acima de 40 ou 50 gramas por dia — pode causar desconfortos digestivos imediatos, como gases, inchaço, cólicas, constipação ou até episódios de diarreia. O problema é potencializado quando a ingestão não vem acompanhada de uma boa hidratação, já que a fibra precisa de água para cumprir seu papel no organismo.

Outro ponto de atenção é o desbalanceamento nutricional. Consumir fibras em excesso pode atrapalhar a absorção de minerais importantes, como ferro, cálcio e zinco, além de levar algumas pessoas a negligenciar grupos alimentares essenciais, como proteínas e gorduras boas. “Não adianta colocar toda a energia na fibra e esquecer que o corpo precisa de um equilíbrio de nutrientes”, alertam nutricionistas que acompanham o fenômeno.

Para quem deseja aderir à tendência de forma segura, a principal recomendação é a moderação. O ideal é aumentar gradualmente a ingestão de fibras, adicionando cerca de cinco gramas a mais por semana até atingir a meta diária recomendada. É igualmente importante variar as fontes, combinando fibras solúveis, presentes em alimentos como aveia, maçã e feijão, com fibras insolúveis, encontradas em alimentos como linhaça, nozes e vegetais folhosos.

Fontes naturais de fibras devem ser prioridade. Leguminosas como lentilha e grão-de-bico, frutas consumidas com casca, vegetais como brócolis e batata-doce, além de sementes como chia e linhaça, são exemplos de escolhas saudáveis. Nutricionistas lembram que depender apenas de suplementos ou produtos industrializados enriquecidos com fibras pode não trazer o mesmo efeito e ainda levar a uma dieta pouco diversificada.

Apesar dos riscos, o fiber-maxxing traz um aspecto positivo: chama atenção para um nutriente muitas vezes esquecido em uma era de alimentos ultraprocessados. O mercado já percebeu essa virada de interesse. Estima-se que os suplementos de fibras movimentaram US$ 8,8 bilhões em 2024, com um crescimento de 15% em apenas dois anos. A onda digital, portanto, também reflete uma tendência de mercado que veio para ficar.

O desafio, segundo especialistas, é transformar o movimento em educação alimentar e não apenas em mais um desafio de rede social. Afinal, não se trata de quem consegue ingerir mais fibras em um único dia, mas de criar uma rotina saudável, equilibrada e sustentável a longo prazo.

Por isso, a recomendação é clara: beba bastante água, aumente a fibra de forma gradual e diversifique os alimentos. Mais importante do que seguir uma moda viral é entender o que faz bem ao seu corpo. Nesse caso, o fiber-maxxing pode até ser uma oportunidade de melhorar a saúde, desde que a busca por curtidas não se sobreponha ao cuidado verdadeiro com o organismo.

No fim das contas, a tendência que nasceu nas redes pode até ajudar a popularizar um hábito esquecido, mas só se for praticada com inteligência. O segredo não é “maxxar” a qualquer custo — é equilibrar.

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