Novas pesquisas científicas revelam que a vitamina D tem papel essencial não só na imunidade, mas também no metabolismo, sono, humor e até na perda de gordura. Especialistas alertam para níveis ideais e riscos do excesso.
A vitamina D, há anos associada à saúde óssea e ao sistema imunológico, voltou ao centro das discussões científicas em 2025. Uma série de estudos internacionais reacendeu o debate sobre seus efeitos em processos metabólicos, controle do peso, qualidade do sono e até saúde mental. Especialistas afirmam que, embora o nutriente não seja uma “cura milagrosa”, sua deficiência está ligada a quadros cada vez mais frequentes na população brasileira, como fadiga, baixa imunidade, ansiedade, insônia e maior predisposição ao ganho de gordura.
Um dos temas mais comentados pela comunidade científica é a relação entre vitamina D e composição corporal. Pesquisas publicadas no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism apontam que níveis adequados do nutriente ajudam a melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir inflamação, dois fatores associados ao acúmulo de gordura abdominal.
Além disso, estudos realizados pela Universidade de Turim, na Itália, sugerem que indivíduos com deficiência severa de vitamina D apresentam um metabolismo até 10% mais lento, o que pode explicar a dificuldade de perder peso mesmo com dieta e exercícios.
Mesmo após o pico da pandemia, pesquisas seguem confirmando o papel da vitamina D na resposta imunológica. Segundo dados do European Journal of Nutrition, indivíduos com níveis acima de 30 ng/mL têm menor risco de desenvolver infecções respiratórias, especialmente no inverno, quando a exposição ao sol diminui.
A vitamina D atua na produção de peptídeos antimicrobianos, substâncias que ajudam o corpo a combater vírus e bactérias. Por isso, médicos reforçam que manter níveis adequados é uma estratégia essencial para fortalecer o sistema imunológico durante surtos de gripe — como o que o Brasil enfrenta atualmente.
Um dos achados mais recentes vem da relação entre vitamina D, bem-estar emocional e qualidade do sono. Pesquisadores da Universidade de Boston analisaram mais de 8 mil participantes e observaram que quem tinha níveis adequados do nutriente apresentava menor risco de insônia crônica e maior produção noturna de melatonina, o hormônio do sono.
Outro estudo, da Nutritional Neuroscience, mostrou que a vitamina D atua na modulação de neurotransmissores ligados ao humor, como serotonina e dopamina. A deficiência pode estar associada a quadros de irritabilidade, baixa energia e maior predisposição à ansiedade.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia recomenda níveis entre 30 e 60 ng/mL para adultos saudáveis. Entretanto, muitos especialistas apontam que faixas entre 40 e 50 ng/mL tendem a oferecer maior proteção contra gripes, fadiga e baixa imunidade.
No Brasil, estima-se que mais de 60% da população tenha algum grau de insuficiência, principalmente em grandes centros urbanos, onde a exposição solar é menor e o uso de protetor solar reduz a síntese natural do nutriente.
Suplementar vitamina D pode ser benéfico, mas exige cuidado. Especialistas alertam que o excesso — principalmente de doses muito altas sem acompanhamento médico — pode causar intoxicação, cálculos renais e aumento perigoso do cálcio no sangue.
Para a maioria das pessoas, médicos recomendam:
Grupos que devem ter atenção redobrada:
Têm menor capacidade de sintetizar vitamina D pela pele.
Tendência a níveis mais baixos devido ao sequestro da vitamina pelo tecido adiposo.
Passam longas horas longe da luz solar.
Podem ter benefícios da suplementação controlada.